Bancas
prevêem um crescimento menor nos próximos
anos
Valor Econômico, 20 de março de 2002 -
Legislação & Tributos
Os grandes escritórios de advocacia do Brasil
se preparam para uma transição. Após
viver um período de grande fartura, onde o crescimento
anual de alguns escritórios chegou a 35%, o novo
período que se avizinha deve ter crescimento
modesto - estimado pelos advogados administradores das
maiores bancas do país - de no máximo
2% acima da variação do PIB. O mercado
de profissionais também deve mudar, na previsão
dos grandes escritórios. Ao contrário
do que ocorreu nos últimos quatro anos, apenas
as novas áreas de atuação, como
as relacionadas à infra-estrutura, deverão
crescer. Por causa disso, o incremento nos salários
dos advogados vivenciado anteriormente deve ser contido,
aproximando-se dos rendimentos de outras categorias
de profissionais liberais.
Os escritórios já estão se preparando
para o novo cenário. Alguns escritórios
vêm apostando no setor de infra-estrutura em busca
de crescimento. "O Brasil investirá na área
tanto como no início dos anos 70", prevê
Antônio Corrêa Meyer, sócio do Machado,
Meyer, Sendacz e Opice Advogados. Para se preparar,
o Machado, Meyer alterou sua estrutura interna há
quatro meses. No local de uma única área
chamada serviços públicos e concessões,
emergiram à categoria de divisões seis
novas áreas: infra-estrutura; energia, petróleo
e gás; comunicação e telecomunicações;
aeronáutico; consumidor; e esportes e entretenimentos.
"Essas áreas já existiam, mas elas
precisavam de uma atenção especial",
afirma, sem descartar a "emancipação"
de novas áreas que ainda dependem de normas,
como a do saneamento.
Outros grandes escritórios mantiveram o organograma
interno, mas têm privilegiado novas áreas.
José Luis de Salles Freire, sócio do Tozzini,
Freire, Teixeira e Silva Advogados, explica que em seu
escritório já existem, desde 1992, grupos
que estudam essas áreas de maior potencial, que
estão prontas para atender o mercado assim que
os negócios começarem a surgir. "Muita
coisa ainda depende de definições regulatórias
e as áreas tradicionais ainda pesam bastante
no nosso faturamento", afirma, lembrando que entre
os setores com demanda de investimentos estão
o de aeroportos e rodovias. Já o Demarest &
Almeida Advogados terminou uma reestruturação
de quatro meses que criou 22 áreas diferentes
dentro de sua diretoria jurídica, algumas focadas
nos nichos de negócio que podem se desenvolver.
De acordo com os grandes escritórios, o mercado
de trabalho dos advogados deverá sofrer uma queda
média dos salários, muito inflacionado
nos últimos anos, exceto em áreas específicas
que demandam profissionais com uma boa especialização.
O advogado Rogério Lessa, sócio do Demarest
& Almeida, acredita que as novas áreas deverão
gerar bons negócios, mas nada que se assemelhe
ao fantástico crescimento que a advocacia enfrentou
nos últimos quatro anos. "Não teremos
novamente escritórios crescendo a uma média
de 35% ao ano, mas um crescimento modesto do mercado
em geral, de no máximo 2% acima da variação
do PIB", diz.
Esta opinião é compartilhada por Clemencia
Wolthers, sócia do Pinheiro Neto Advogados e
presidente do Centro de Estudos das Sociedades
de Advogados (Cesa). Ela acredita que a fase
de grande crescimento dos escritórios acabou.
"Agora teremos um crescimento contínuo e
seguro, mais próximo do PIB", diz. Clemencia
acredita que o investimento externo no país deverá
crescer fortemente nos próximos anos, mas sem
significar um "boom" para os escritórios.
"O setor já está bem estruturado
e algumas bancas médias deverão, inclusive,
diminuir, pois se prepararam para determinados negócios
que já foram realizados", diz. O Pinheiro
Neto Advogados adota a mesma estrutura criada há
dez anos, com três grandes áreas que abrigam
58 setores diversos, coordenados por sócios.
"Temos todos os principais assuntos em estudo e,
de acordo com a demanda, podemos adequar as equipes
para atender o mercado", afirma.
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