OAB
conclui projeto de advocacia gratuita para ONGs
O Estado de São Paulo - Quinta-feira, 08 de agosto
de 2002
Mauro Mug
São Paulo - O presidente do Tribunal de Ética
e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
em São Paulo, Jorge Eluf Neto, entregou nesta
quarta-feira ao presidente da entidade, Carlos Miguel
Aidar, a proposta para a regulamentação
da chamada advocacia pro bono (para o bem, em latim),
com a finalidade de oferecer assistência jurídica
gratuita para organizações sociais que
prestam serviços à comunidade.
A proposta será votada na reunião do conselho
da OAB, no dia 19. "As pessoas físicas carentes,
sem recursos financeiros para pagar um advogado, já
contam com um serviço de defesa fornecido pela
Procuradoria do Estado ou com advogados pagos pela Procuradoria
em convênio com a OAB", explicou Eluf Neto.
"As pessoas jurídicas, como entidades sociais
ou não-governamentais sem fins lucrativos, como
as que cuidam de menores nas ruas ou da proteção
ambiental, não são contempladas com esse
benefício." A regulamentação
pela OAB acaba com a polêmica criada pelo código
de ética da profissão, que proíbe,
entre outras coisas, a captação de clientela
por meio de propaganda e cobrança de honorários
aviltantes, e atende uma iniciativa dos advogados que
desejam prestar esse serviço gratuito.
"Com o pro bono, advogados e escritórios
de advocacia poderão dedicar algumas horas de
trabalho em defesa dos interesses dessas entidades,
sem cobrar honorários", afirmou o presidente
do Tribunal de Ética. Eluf Neto destacou que
a maior preocupação da regulamentação
é o desvio de conduta, evitando a captação
de clientela, e, por isso, os advogados serão
proibidos de prestar assessoria jurídica a mantedores
e fundadores dessas entidades.
Muito praticada nos Estados Unidos, a advocacia pro
bono não tem regulamentação no
Brasil. Mesmo assim, alguns escritórios de
advocacia já realizam trabalhos gratuitos.
Fundado há dois anos por advogados como Márcio
Thomaz Bastos e o ex-ministro José Carlos Dias,
a pratica leva advocacia pro bono a pessoas físicas.
O grupo, formado por 25 advogados, faz mutirões
em delegacias onde há superlotação
- a pedido dos delegados - para analisar os processos
dos presos - e soltar quem já poderia estar
solto.
Livro - Os advogados Maria Lygia Quartim de Moraes e
Rubens Naves lançam no dia 12, às 18h30,
na Livraria Cultura, o livro Advocacia Pro Bono em Defesa
da Mulher Vítima de Violência. Na ocasião,
será assinado convênio de cooperação
técnica para a eliminação da violência
sexual contra a mulher entre o Instituto Pro Bono, o
Comitê da América Latina e Caribe para
a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), o Centro
de Estudos da Sociedade de Advogados (Cesa)
e a Unifesp. |