Escritórios
e profissionais fazem sugestões à nova
lei
Valor Econômico, 28 de Agosto de 2002, Cad. Legislação
& Tributos
O Centro de Estudos das Sociedades de Advogados
(Cesa), juntamente com a seccional paulista
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), apresentou
ontem oficialmente suas sugestões de mudanças
ao novo Código Civil. A proposta, que altera
84 dos 2.046 artigos da nova lei, será apensada
a um projeto que já tramita na Câmara dos
Deputados com o mesmo objetivo, feito pelo último
relator do Código Civil na Câmara, deputado
Ricardo Fiúza (PPB-PE), que assinará as
duas propostas já existentes.
Como alguns pontos do novo código poderão
representar, de acordo com especialistas, um retrocesso
legal no Brasil, principalmente na área econômica,
o deputado já estuda formas para conciliar o
problema da falta de tempo para aprovação
das medidas, não descartando sequer um pedido
de aumento do prazo de vacância para a entrada
em vigor da lei, que é de um ano e vence em 11
de janeiro.
As propostas apresentadas ontem tratam, principalmente,
das sociedades limitadas, regime pelo qual figuram mais
da metade das pessoas jurídicas brasileiras,
incluindo muitas grandes empresas.
De acordo com a advogada Beatriz Padovan Pacheco, sócia
do escritório Pinheiro Neto Advogados, e participante
da comissão que criou as propostas ao novo código,
algumas questões apresentadas pela atual redação
da lei podem inviabilizar aspectos da atividade econômica
das empresas. "Da forma como está, o código
pode trazer dúvidas sobre assuntos pacificados
há mais de 20 anos", diz.
As propostas apresentadas em uma cerimônia ontem,
entretanto, já eram conhecidas do deputado e
de sua equipe de assessores jurídicos e deverão
ser analisadas com a mesma importância da proposta
anterior, que altera 188 artigos do código, de
praticamente todos os capítulos da lei. Somados,
os dois projetos propõem mudanças em mais
de 13% do novo Código Civil antes mesmo de sua
entrada em vigor. "Aceito 95% das sugestões
do Cesa sem observações", diz o deputado.
As propostas restantes já foram analisadas conjuntamente
pelo Cesa, OAB-SP e pelo deputado e o projeto deverá
ser apresentado ao Congresso nesta semana.
A grande dúvida, entretanto, é se haverá
rapidez na aprovação destes projetos,
para que a entrada em vigor do novo Código Civil
possa trazer uma garantia jurídica para o país.
Já que neste ano ocorrem eleições
e dificilmente se teria tempo para aprovar o projeto
nas duas casas legislativas, Fiúza começa
a estudar a solução do problema.
"Quando assumi a relatoria do Código Civil,
que estava tramitando no Congresso há mais de
20 anos, percebi que o texto era bom mas continha itens
totalmente desatualizados", diz Fiúza. "Avisei
da necessidade das atualizações correntes,
que encontrarão um grande consenso no Congresso
e, acredito, deverão ser aprovadas em tempo recorde."
Alguns assessores acreditam que será possível,
ainda neste ano, aprovar os projetos ao menos na Câmara
dos Deputados.
Mas algumas medidas poderão ser tomadas para
impedir que a nova legislação crie obstáculos
para a economia. De acordo com o advogado Mário
Delgado, membro da comissão de nove juristas
que elaborou o primeiro projeto de alterações
e assessor do deputado, muitos das questões econômicas
defasadas do código não têm eficácia
imediata com a entrada em vigor da lei. "Há
prazo de um ano para que algumas coisas sejam adaptadas
nas empresas", diz. O deputado relator, entretanto,
estuda alternativas para acelerar o procedimento legislativo.
Fiúza afirmou que, entre outras medidas, poderá
destacar os pontos que terão repercussão
imediata, junto com a entrada em vigor do código,
e votá-los em regime de urgência urgentíssima.
Depois disso, poderia destacar os pontos de reforma
ao código e votá-los antes dos itens que
representam um acréscimo ao texto do código.
"Entretanto ainda não descartei a possibilidade
de pedir o aumento do prazo de vacância do código,
mesmo acreditando que isso poderia aumentar a insegurança
jurídica no país", diz. |