OAB
defende contenção da Advocacia Estrangeira
no Brasil
OAB Nacional nº 98, Brasília, 2 de setembro
de 2002, pág. 6.
As teses defendidas pela OAB quanto à necessidade
de contenção do ingresso da advocacia
estrangeira no Brasil foram expostas, sem contestações,
pelo conselheiro federal e presidente da Comissão
de Sociedades de Advogados, Sergio Ferraz, durante a
abertura do 1º Encontro Nacional Itamaraty-Escritórios
de Advocacia, no dia 26 de agosto. Representando a entidade,
o advogado Sergio Ferraz falou perante um auditório
lotado. Participaram do evento, além de representantes
de 123 escritórios de advocacia, 253 advogados
e a presidente do Centro de Estudos de Sociedades
de Advogados, (CESA), e membro da Comissão
de Sociedades de Advogados, Clemência Wolthers.
Em mensagem ao presidente nacional da OAB, Rubens Approbato
Machado, Sergio Ferraz enfatizou que o próprio
ministro das Relações Exteriores, Celso
Lafer, não se contrapôs às teses
que defendeu. "Aliás, bom é que se
diga, em nenhuma das posteriores exposições,
nos painéis que se sucederam, houve qualquer
oposição às linhas da OAB (nem
mesmo dos setores dos quais fosse possível esperar
alguma contestação), ocorrendo, bem antes,
formal apoio ao trabalho da Entidade, nesse assunto".
Sergio Ferraz informou ainda que, no painel do fim da
manhã, o embaixador Valdemar Carneiro Leão,
diretor-geral do Departamento Econômico do Itamaraty,
assegurou que não foi assumido qualquer compromisso
envolvendo serviços de advocacia nos diversos
encontros internacionais sobre serviços.
No material distribuído aos congressistas, porém,
Sergio Ferraz apontou dois documentos que fazem supor
ser meramente formal a pretensa neutralidade do Itamaraty:
um extenso relatório da OMC, intitulado Legal
Services, posiciona-se radicalmente contra os princípios
que embasam o Provimento nº 91 e a "Declaração
Ministerial", também da OMC. Este último
documento, firmado em Doha, em novembro de 2001, é
bem mais preocupante, segundo Sergio Ferraz, pois prega
abertamente a livre circulação mundial
de serviços e, embora não tenha destaques
relativos aos "legal services", acena com
uma data final para que todas as metas sejam atingidas:
1º de janeiro de 2005.
Para fazer frente à situação, o
presidente da Comissão de Sociedades de Advogados
recomenda que a OAB se faça presente, ao menos
como observadora, nas próximas reuniões
internacionais sobre serviços e conclui com um
alerta: "As tentativas de reversão de nossas
posições tendem ao robustecimento, sobretudo
à luz de nossas dificuldades comerciais e cambiais,
aliados à entrada em pauta das discussões
sobre a ALCA, sendo de notar que, nos documentos referentes
à NAFTA, a livre e total circulação
de serviços já foi assegurada".
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