Atuação
em Comércio Internacional é opção
estratégica para escritórios
Valor Econômico, 12 de setembro de 2002
Os grandes escritórios de advocacia brasileiros
estão fazendo uma opção estratégica
ao investir na área do direito do comércio
internacional. O desafio é criar equipes com
profissionais que tenham expertise em uma área
que é monopolizada por bancas americanas e inglesas,
que atuam pelos corredores de Genebra, sede da Organização
Mundial do Comércio (OMC), apesar da pouca demanda
por trabalho hoje.
Reuniões com o Itamaraty e com o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
demonstram a abertura do governo para incluir os advogados
brasileiros nos questionamentos junto à OMC e
em negociações internacionais como Alca,
União Européia e Mercosul. "Além
da interlocução com empresas brasileiras,
os ministros Sergio Amaral e Celso Lafer deixaram claro
que querem também a presença dos advogados
nos diálogos e negociações dos
grandes tratados internacionais que temos pela frente",
diz o advogado Thomas Felsberg, sócio do escritório
Felsberg e Associados e presidente do Comitê de
Apoio à Exportação do Centro
de Estudos das Sociedades (Cesa).
Além de criar um know-how brasileiro para tratar
de questões de comércio internacional,
os advogados também precisam mudar de postura
e atuar como parceiros de seus clientes. "O advogado
especializado em comércio internacional deve
levar a seu clientes soluções para viabilizar
as exportações", diz o advogado Marcelo
Calliari, um dos sócios do escritório
Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados. "O
escritório hoje investe caro em capacitação
técnica para um setor que não dará
um retorno financeiro a curto prazo, mas é essencial
do ponto de vista estratégico para servir nossas
clientes, principalmente as empresas exportadoras",
diz Calliari.
Segundo o advogado Ronaldo Veirano, sócio do
Veirano Advogados, há pouca gente preparada para
atuar nessa área. "O pessoal mais preparado
ou está em escritórios na Europa e EUA
ou no governo" diz o advogado. Ele mesmo foi buscar
nos EUA a advogada Ana Caetano, que hoje dedica-se exclusivamente
à área de direito do comércio internacional
no escritório. Ele acredita também que
a abertura das missões do Itamaraty em outros
países para estágios de advogados bancados
pelos escritórios será um arcabouço
muito bom para reciclar conhecimento.
Seu escritório é o primeiro brasileiro
contratado por uma associação de exportadores
brasileiros (a Associação Brasileira de
Exportadores de Frangos - Abref) que irá patrocinar
um questionamento junto à OMC sozinho, sem a
parceria de nenhuma das tradicionais bancas internacionais
que atuam em Genebra. "É o começo
de uma área em que há um grande potencial",
acredita Veirano.
O escritório Pinheiro Neto Advogados já
atuou em questionamentos junto à OMC, mas em
parceria com bancas internacionais. Para o advogado
Mauro Berenholc, a vantagem do Pinheiro Neto na prestação
do serviço em direito do comércio internacional
reside na vasta experiência em defesa comercial.
"Mais da metade dos 21 questionamentos brasileiros
junto à OMC dizem respeito a anti-truste, subsídios
e salvaguardas", diz Berenholc.
"O acompanhamento sistemático, via internet,
das decisões da OMC, é instrumento fundamental
para a criação de uma assessoria na área
do direito do comércio internacional", diz
o advogado Marcelo Mansur, sócio do escritório
Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga e professor
de direito internacional da USP. Tanto é assim
que o escritório está destacando a advogada
Mara Carolina Mendonça de Barros. "Com o
aumento das exportações brasileiras, os
problemas na esfera do comércio internacional
aumentarão. É preciso que os escritórios
comecem a partir de agora a se armar para enfrentar
essas questões" , diz a advogada.
Segundo o advogado Roberto Portella, sócio do
escritório Demarest & Almeida, o direito
de comércio internacional é um desafio
para a nova geração. O escritório
também já destacou um advogado para atuar
somente na área, apesar da pouca demanda. "Mas
quem diria, há 15 anos, que direito da concorrência,
por exemplo, se transformaria no que se transformou?"
, indaga.
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