Lei ainda
causa incerteza a três meses de sua vigência
Valor Econômico, 11 de Outubro de 2002.
Novo Código Civil Projetos que alteram
direito empresarial estão parados
Lei ainda causa incerteza a três meses de sua
vigência
Henrique Gomes Batista, de São
Paulo
Marcada para 11 de janeiro de 2003, a entrada em vigor
do novo Código Civil ainda provoca discussões
no Congresso e ainda há dúvidas inclusive
sobre a data de sua vigência. Há dois projetos
que tramitam na Câmara dos Deputados e que são
considerados fundamentais para corrigir graves problemas
da lei - principalmente no que se refere ao direito
das empresas -, mas eles estão parados e dificilmente
serão aprovados ainda neste ano.
Uma das proposta foi desenvolvida por uma equipe de
juristas capitaneada pelo último relator do código
na Câmara, Ricardo Fiúza (PPB-PE), e a
outra - considerada mais importante para a ordem econômica
- foi feita pelo
Centro de Estudos das Sociedades
de Advogados (Cesa). Juntas, as duas propostas
alteram cerca de 15% dos 2.046 artigos do novo código.
Mas sua tramitação está praticamente
parada: elas sequer foram debatidas na Comissão
de Constituição, Justiça e Redação
(CCJR) da Câmara dos Deputados.
Mesmo que se consiga um acordo político para
a votação das propostas, há o risco
de não haver tempo para aprovação
dos projetos, já que, além de apreciar
o Orçamento da União, o Congresso terá
39 medidas provisórias e algumas emendas constitucionais
polêmicas pela frente neste ano.
Para o deputado que apresentou os dois projetos de lei
sobre o novo Código Civil na Câmara, Ricardo
Fiúza, reeleito no último domingo, não
há motivo para tanta pressa. "O novo Código
Civil é bom, moderno, e as alterações
serão feitas para aperfeiçoamento e no
tempo necessário", diz. Ele classifica as
alterações propostas pelo
Cesa
na parte das empresas como complementar à lei,
devido aos quase 30 anos de tramitação
do Código Civil no Legislativo.
Fiúza diz que tentará um acordo de lideranças
para aprovar o projeto, mas que não há
previsões reais. "O projeto está
na CCJR e será aprovado na pressa que puder",
afirma. Para ele, não há erros na lei.
"Fui até homenageado pela Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) e pelos grandes escritórios em
São Paulo, e se há essa preocupação
tão grande na alteração do código
é de uma ou duas vozes destoantes", diz.
O deputado descartou a possibilidade de adiar a entrada
em vigor do código. "Seria uma grande burrice",
diz.
Mas os advogados que tratam diariamente com o direito
de empresas, entretanto, enxergam graves problemas no
atual texto do código. "A lei traz avanços
importantes, mas é necessário corrigir
graves falhas", afirma o advogado Pedro Antonio
de Almeida e Silva, do Gouvêa Vieira Advogados.
A advogada Beatriz Padovan Pacheco, sócia do
Pinheiro Neto e participante da comissão do
Cesa
que elaborou as propostas de mudança no novo
código, ainda está otimista com a aprovação
da lei. Mas ela não descarta o adiamento da entrada
em vigor do código. "Talvez tenhamos que
contar com esta possibilidade", diz.
O advogado Caio Leonardo Bessa Rodrigues, da filial
de Brasília do Pinheiro Neto, afirma que o escritório
começará a pressionar o Congresso. "É
uma tarefa hercúlea, mas vamos tentar aprovar
o projeto ao menos na Câmara ainda neste ano",
diz. Para ele, é fundamental a atuação
dos escritórios neste sentido. "Todo o projeto
foi apresentado em um contexto desfavorável e,
como não passou pela CCJR, o assunto não
está nem na reunião de líderes
que a Câmara vai fazer na terça-feira",
diz.
O advogado Giovanni Ettore Nanni, sócio do escritório
Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados, acredita
que os problemas apresentados não trarão
uma grande insegurança jurídica se os
projetos estiverem tramitando. "Mesmo o código
de 1916 sofreu profundas alterações em
1919, acho isso normal e desta vez pode ser bem mais
rápido", diz.