Advogados
e ministros discutem a ALCA
Valor Econômico, 14 de Outubro de 2002.
Daniela Christovão, de São
Paulo
Na sexta-feira, o ministro das Relações
Exteriores, Celso Lafer, e o ministro do Desenvolvimento,
Sérgio Amaral, estiveram em uma reunião
técnica com representantes do Centro
de Estudo das Sociedades de Advogados (Cesa).
O objetivo foi apresentar subsídios técnicos
sobre as implicações jurídicas
das negociações da Área de Livre
Comércio das Américas (Alca).
No fim de outubro, exatamente uma semana após
as eleições presidenciais, o ministro
Celso Lafer estará no Equador para uma reunião
entre chanceleres dos 34 países da América
que discutirão as regras e o ritmo de implantação
de uma área de livre comércio na região.
Segundo o advogado Thomas Felsberg, presidente do Comitê
de Apoio à Exportação do Cesa,
essa reunião não teve qualquer caráter
decisório. "Nossos encontros com os ministros
tem como caráter exclusivo dar suporte para as
negociações do próximo ano feitas
pelo Itamaraty com os demais países da América",
diz Felsberg.
Na reunião de sexta os advogados Newton Silveira,
Marcelo Cagliari, Helio Nicolleti e Mauro Berenholc
apresentaram trabalhos sobre propriedade intelectual,
solução de controvérsias e defesa
comercial, respectivamente. Essas matérias são
pontos-chave nas negociações da Alca.
A finalidade dos expositores foi a de comparar a abordagem
dada a esses assuntos nos tratados de comércio
internacionais que existem hoje, como o Nafta e a Organização
Mundial de Comércio (OMC).
Segundo Felsberg, os ministros elogiaram bastante o
trabalho feito pelos advogados em relação
à utilização do órgão
de solução de controvérsia no âmbito
do Nafta, já que existe um grande receio de que
o poderio americano comprometa a independência
do instituto.
"Um levantamento feito demonstrou que no Nafta
- acordo comercial do qual fazem parte Estados Unidos,
Canadá e México - a maior parte das disputas
acabou sendo decidida no âmbito da negociação",
diz Thomas Felsberg. "E nesse levantamento não
se averiguou uma supremacia de decisões do órgão
de solução de controvérsias favoráveis
aos EUA", analisa o advogado. Através dessa
análise empírica, é possível
retirar parte do estigma da Alca sobre uma eventual
dominação dos EUA. |