País
arma-se para negociação da ALCA
O Estado de São Paulo, 18 de outubro de 2002
Queremos Subsídios Técnicos de
Juristas
Um grupo de advogados vai colaborar, técnica
e juridicamente, com o governo brasileiro
O Brasil está se armando até os dentes
para enfrentar a posição ofensiva dos
Estados Unidos nas negociações no âmbito
da Área de Livre Comércio das Américas
(Alca), principalmente, e da Organização
Mundial do Comércio. Em atitude inédita
na última década, o governo brasileiro
convidou um grupo de advogados para colaborar, técnica
e juridicamente, nos assuntos da pauta das negociações
da Alca.
As recentes declarações do Representante
de Comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick,
dando a entender que os países latino-americanos
ou entram na Alca ou terão de vender seus produtos
na Antártida, mostram que Washington virá
para cima do Brasil e de seus principais parceiros no
Mercosul.
Para enfrentar a posição americana, o
Ministério de Desenvolvimento, Comércio,
Indústria e Comércio Exterior, além
do Itamaraty, recebeu de 16 advogados do Centro de Estudos
da Sociedade de Advogados três relatórios
sobre defesa comercial, solução de controvérsias
e propriedade intelectual que indicam onde o Brasil
poderá enfrentar maiores dificuldades nas negociações
e, ainda, a interpretação dos negociadores
americanos para cada um desses assuntos. "As negociações
internacionais são de alta tecnicidade e, quanto
mais instrumentos técnicos e jurídicos
o Brasil tiver, melhor", disse à Agência
Estado Hélio Nicoletti, um dos advogados que
participaram dos estudos encomendados pelo governo brasileiro.
"Além dessas três questões,
foi feita ainda uma avaliação jurídica
da Autoridade para Promoção Comercial
(TPA, pelas iniciais em inglês)", acrescentou
Nicoletti. De acordo com o advogado, a análise
da TPA indica, de alguma forma, a tendência que
os negociadores americanos poderão adotar nas
negociações comerciais. "Queremos
ter subsídios técnicos especializados
de juristas que tenham conhecimento sobre essas questões
e, além disso, queremos engajar os escritórios
de advocacia do País no processo de negociação
como forma, inclusive, desses escritórios, aumentarem
seus conhecimentos especializados para que, no futuro,
possam atuar nas negociações ou nos contenciosos
comerciais", explicou o ministro. (V.G.)
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