Protecionismo
dos EUA pode ser questionado
Valor Econômico, 02 de dezembro de 2002
As normas fixadas pelo Congresso dos Estados Unidos
para os negociadores do governo George Bush na Área
de Livre Comércio das Américas (Alca)
reforçam o protecionismo norte-americano, mas
deixam uma pequena abertura para mudar algumas medidas
dos organismos anti-dumping do país. É
o que concluem os estudos dos especialistas do Centro
de Estudos das Sociedades de Advogados (Cesa),
a pedido do Ministério do Desenvolvimento.
As normas fixadas pelo Congresso para a Trade Promotion
Authority (TPA), a autorização ao Executivo
para negociar sem risco de emendas parlamentares ao
acordo, dão um grau de interferência
inédito ao Legislativo norte-americano nas
discussões para a Alca. Para os advogados da
Pinheiro Neto Advogados, que elaboraram um dos estudos
do Cesa, os termos da TPA restringem os compromissos
assumidos pelo governo dos Estados Unidos nas negociações
da Alca e da Organização Mundial do
Comércio (OMC).
Enquanto o mandato fixado pelos países para os
negociadores da Alca prevê medidas para evitar
"obstáculos injustificados ao livre comércio
no hemisfério", a TPA exige que os futuros
acordos comerciais preservem a execução
"rigorosa" das leis norte-americanas de defesa
comercial e proíbem qualquer compromisso que
diminua a "efetividade de disciplinas domésticas
e internacionais" sobre medidas anti-dumping, contra
subsídios ou salvaguardas.
Os advogados da Pinheiro Neto vêem, porém,
"um certo alento" nos termos da TPA, por acreditarem
que permitiria ao negociador norte-americano aceitar
compromissos que não afetem profundamente as
disciplinas internacionais já aceitas pelos Estados
Unidos. Um dos pontos da TPA, em sua seção
2014, admite até mudanças na lei norte-americana,
mas só após comunicação
ao Legislativo. O teor da maioria dos dispositivos,
porém, reforça o protecionismo.
Segundo notam os estudos, as regras anti-dumping e de
solução de controvérsias do Acordo
de Livre Comércio da América do Norte
(Nafta, da sigla em inglês), entre Estados Unidos,
México e Canadá já permitiram a
abertura de 32 casos contra aplicação
das medidas anti-dumping dos Estados Unidos, dos quais
quatro provocaram condenação e exigência
de mudança da medida norte-americana.
Em outros cinco casos houve decisão recomendando
mudanças parciais na medida anti-dumping, e
em 20 casos, houve acordo ou renúncia à
disputa. "Os números podem indicar alento
quanto a possibilidade de se reverter eventual decisão
... da administração norte-americana",
diz o estudo da Pinheiro Neto. Os advogados não
chegaram, porém, a analisar as decisões
contrárias aos EUA. (S.L.)
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