Dez advogados brasileiros serão enviados para
estágios na OMC
Valor Econômico, 04 de novembro de 2002
Um dos programas firmados entre o Itamaraty e o Centro
de Estudos das Sociedades de Advogados (Cesa)
para implementar o expertise dos advogados brasileiros
em matéria de negociações e procedimentos
de comércio internacional será firmado
até o fim de novembro. Feito em parceria com
o Instituto Brasileiro de Direito da Concorrência
(Ibrac), o programa enviará dez advogados brasileiros
para estágios de quatro meses na missão
diplomática brasileira na sede da Organização
Mundial do Comércio (OMC).
Os escritórios membros do Cesa e do Ibrac irão
contribuir para um fundo que custeará os gastos
e bolsas dos advogados que estiverem em Genebra. E,
durante o período de estágio, os profissionais
trabalharão para o Itamaraty, desenvolvendo atividades
típicas da diplomacia e tendo mais contatos com
os meandros dos tratados e das negociações.
Com esse programa de estágio em conjunto entre
a iniciativa pública e privada, vai se concretizando
o desafio de criar equipes com profissionais que tenham
expertise em uma área que é monopolizada
por bancas americanas e inglesas: a defesa comercial
internacional e as negociações de tratados
internacionais.
Segundo o advogado Thomas Felsberg, sócio do
escritório Felsberg e Associados e presidente
do Comitê de Apoio à Exportação
do Cesa, esse não é um
programa de estágio voltado a advogados iniciantes
ou juniores. "O objetivo é que advogados
mais experientes, não necessariamente com título
de mestre ou doutores, mas com comprovada experiência,
façam parte desse programa", diz Felsberg.
A partir dessa turma de dez advogados, é bem
capaz que o conhecimento das peculiaridades dos questionamentos
junto à OMC e de negociações comerciais
como a Alca seja disseminado entre os advogados brasileiros.
Apesar do ainda pouco volume de trabalho nessa área,
os escritórios estão cada vez mais sendo
procurados pelos seus clientes para dar soluções
à entrada de seus produtos em países
estrangeiros. O conhecimento do trâmite de comércio
internacional e mesmo da legislação
dos principiais países importadores de produtos
brasileiros é um desafio importante e que fará
a diferença na prestação desse
serviço.
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