Ordens
de advogados discutem abertura
Tribuna do Direito, 22 de janeiro de 2003
Daniela Christovão, de São Paulo
A reunião anual da Union International des Avocats
(UIA), que se realizará em 30 de janeiro na sede
da Organização das Nações
Unidas (ONU) em Nova York, terá como tema a flexibilização
do mercado de advocacia. A questão preocupa os
profissionais do direito porque a assistência
jurídica entrará nas negociação
da Rodada de Doha da Organização Mundial
do Comércio (OMC), que pretende quebrar barreiras
no comércio de serviços. Da reunião
da UIA sairá um posicionamento consensual de
representantes das ordens de advogados de boa parte
dos países membros da OMC.
No Brasil, a entrada de profissionais estrangeiros no
mercado de advocacia já é permitida de
duas maneiras: ou pela validação do diploma
exterior e exame na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
- como para os advogados brasileiros - ou, desde 2000,
pelo Provimento nº 91 da Ordem, que regulamentou
a atuação dos consultores em direito estrangeiro.
Tudo indica que essas experiências brasileiras
serão levadas à discussão com os
representantes das ordens de outros países. Nas
diversas reuniões ocorridas durante o ano passado,
o posicionamento da OAB e do Centro de Estudo da
Sociedade dos Advogados (Cesa) foi o de suprir de
informações o Itamaraty para a entrada
nas negociações da Rodada de Doha.
A advogada Isabel Franco, sócia do escritório
Demarest e Almeida e conselheira da American Bar Association,
irá assessorar o presidente da OAB, Rubens Approbato
Machado, na reunião da UIA e também no
encontro da Bar Association of the City of New York,
que acontece no dia 30. Segundo Isabel, a reunião
na ONU tem o efeito de gerar um ambiente de discussão
de assuntos relevantes e comuns aos advogados do mundo
todo. "A questão da flexibilização
dos assuntos jurídicos é um dos pontos
que mais preocupa a categoria mundialmente", diz
Isabel.
Além da experiência brasileira de abertura
do mercado, a advogada aguarda com grande expectativa
dados da ordem mexicana sobre a abertura do seu mercado
advocatício decorrente da introdução
do país no Nafta. "Durante as negociações
comerciais, os mexicanos forma acusados de impor barreiras
à atuação de americanos e canadenses",
afirma Isabel. Passada quase uma década do acordo
comercial da América do Norte, um reflexo do
que ocorreu com o mercado mexicano poderá ser
um bom indicativo do que pode vir a acontecer com a
advocacia de países em desenvolvimento. |