Advogados pedem que Cade altere resolução
Valor Econômico, 22 de janeiro de 2004
Foi encaminhada ao Conselho Administrativo de Direito
Econômico (Cade) uma proposta de substituição
da Resolução n° 15, de 1998. A resolução
vem sendo alvo de críticas de advogados e é
motivo de grande parte das ações judiciais
que tramitam contra o órgão atualmente.
O principal alvo da alteração apresentada
pelo Centro de Estudos das Sociedades de Advogados
(Cesa) é a definição do
prazo para a comunicação dos atos de concentração
ao Cade. Estima-se que, dos 148 processos judiciais
impetrados contra o Cade até 2003, ao redor de
50 questionam multas aplicadas devido a atrasos na comunicação
dos atos de concentração.
Segundo o Cesa, a proposta foi apresentada
na última seção do Cade, em dezembro,
e já está sendo avaliada pelo presidente
do órgão, João Grandino Rodas.
"A intenção é trazer maior
segurança jurídica e previsibilidade para
as decisões do Cade", diz Patrícia
Galizio, do Comitê de Concorrência e Relações
de Consumo do Cesa e advogada do Xavier, Bernardes,
Bragança Advogados.
A proposta do Cesa, entre outras sugestões,
redefine o ato jurídico que marca a realização
de um ato de concentração. A Lei de Defesa
da Concorrência - Lei nº 8.884/94 - prevê
que os atos devem ser comunicados ao Cade previamente
ou até 15 dias depois de sua realização.
Essa realização é definida pela
Resolução n° 15 como a assinatura
do primeiro documento vinculativo entre as empresas
envolvidas. "Esse primeiro documento pode ser qualquer
coisa, até mesmo um acordo de confidencialidade",
afirma Patrícia Galízio.
O questionamento judicial das multas por atraso na comunicação
dos atos ao Cade vem encontrado respaldo nos tribunais.
Segundo um levantamento feito pelo advogado Aurélio
Marchini Santos, do escritório Levy & Salomão
Advogados, 20 decisões, em primeira e segunda
instância, já foram contrárias ao
Cade, enquanto sete foram a favor. "Cerca de 90%
das ações questionando multas por atraso
foram propostas depois de 1998, quando foi instituída
a Resolução n° 15", diz Marchini.
Segundo o advogado, a proposta encaminhada ao Cade
reflete o consenso entre os advogados da área,
e inclusive de alguns conselheiros do próprio
Cade. De acordo com Marchini, contudo, alguns conselheiros
podem também alegar que uma mudança
abre margem para que empresas posterguem a comunicação
dos atos de concentração ao Cade, razão
que está por trás da redação
atual da Resolução n° 15.
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