Bancas
de advocacia criam oportunidades de negócios
Valor Econômico, 16 de junho de 2004
FERNANDO TEIXEIRA, de São Paulo
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| foto: Daniela Toviansk/VALOR |
Clemência Wolthers, diretora do Cesa:
mercado de advocacia cresceu em número e no tamanho
dos escritórios
Tem início hoje a primeira edição
da Fenalaw - feira que vai reunir até sexta-feira
50 fornecedores de serviços e suprimentos para
escritórios de advocacia e promover palestras
sobre a gestão de negócios na área.
O evento marca a transformação de um ramo
de atividade que sempre resistiu em se definir como
empresarial, mas que vem, ao longo dos últimos
anos, se organizando como tal. A feira reúne
fornecedores de suprimentos típicos de um escritório,
como fabricantes móveis, papelaria, gráficas,
e também outras atividades menos tradicionais
na advocacia, entre elas consultorias e prestadores
de serviços de marketing, administração,
contabilidade, fornecedores de softwares jurídicos
e webdesigners.
Segundo Anna Luiza Boranga, presidente do Centro de
Estudos de Administração de Escritórios
de Advocacia (Ceae), responsável pela organização
do evento, o número de expositores presentes
e o ritmo de inscrições nos seminários
da abertura superou as expectativas. "Para uma
primeira edição da feira, os resultados
surpreenderam", diz Anna Luiza. Ela prevê
que duas mil pessoas passarão pela feira durante
os seus dois dias. O evento, diz, é inspirado
em um similar que já ocorre nos Estados Unidos
há 34 anos, promovido pela Association of Legal
Administratiors (ALA).
Anna Luiza, que tem há 15 anos uma consultoria
que atua especificamente na área de advocacia,
vê o evento como um marco da expansão do
que ela chama de "advocacia empresarial",
constituída de escritórios que se organizam
como empresas, abandonando as estruturas tradicionais
da área. Essa mudança expande também
um mercado de produtos relacionados à advocacia,
com a possibilidade de venda de novos tipos de serviços
de administração e gestão que são
próprios de uma empresa mercantil, como o planejamento
estratégico, marketing, comunicação
e gestão de recursos humanos.
Outra das alterações que ela identifica
no mercado é a adoção de algumas
dessas estratégias, antes exclusivas de alguns
grandes escritórios, que contam com dezenas ou
centenas de advogados, também em bancas de menor
porte. "Os pequenos escritórios, em geral
de origem familiar, são um mercado muito representativo",
diz Anna Luiza.
Ex-presidente e atual diretora do
Centro de
Estudos das Sociedades de Advogados (Cesa),
Clemência Wolthers afirma que o mercado cresceu
em número e tamanho dos escritórios, acompanhando
a abertura do mercado durante os anos 90 e a própria
expansão da economia. A tendência de organização
profissional das bancas também foi inspirada,
como a feira, em exemplos de outros países. O
contato com empresas estrangeiras depois da abertura
criou um relacionamento com clientes estrangeiros e
grandes escritórios internacionais, que tinham
estruturas diferentes das que existiam na advocacia
do país até então, gerando a adaptação
às novas exigências.
A advogada afirma que, como diretora do
Cesa,
é preciso chamar a atenção para
o fato de que a feira vende apenas a estrutura que está
por trás da advocacia, mas não a parte
propriamente profissional. A constituição
de um bom escritório continua dependendo, como
sempre, da existência de bons advogados com conhecimento
notório na sua área de atividade.