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05/06/2020
Prefeitura de SP autoriza concessionárias e escritórios a reabrirem nesta sexta-feira com atendimento limitado a 4h por dia
Protocolos de reabertura enviados pelos dois setores, os primeiros a serem aprovados pela Prefeitura de SP, preveem abertura e fechamento fora do horário de pico e público de no máximo 20% da capacidade total.


O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (4). — Foto: Reprodução/Youtube
 
A Prefeitura de São Paulo vai assinar ainda nesta quinta-feira (4) a autorização para que seja retomado o atendimento ao público em concessionárias de veículos e escritórios da capital a partir desta sexta-feira (5), quando a medida deve ser publicada no Diário Oficial, segundo anunciou o prefeito Bruno Covas. O anúncio parte do processo de flexibilização da quarentena para conter a propagação do novo coronavírus.
 
"Nós já vamos assinar no dia de hoje com o setor de venda de veículos, concessionárias, e o setor de escritórios na cidade de São Paulo", disse Bruno Covas em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (4).
"A partir de amanhã, publicados os protocolos assinados hoje, os escritórios e as concessionárias estão autorizados a terem abertura para o público. Elas, que já funcionavam, mas apenas com trabalho interno, vão poder fazer atendimento ao público durante 4 horas por dia, a partir de amanhã", completou o prefeito.
 
Entre as restrições ao funcionamento impostas para concessionárias e escritórios estão:
 
.Atendimento ao público por até 4 horas por dia;
 
.Público limitado a 20% da capacidade total;
 
.Horários de abertura e fechamento não podem coincidir com horários de pico (das 7h às 10h ou das 17h às 20h);
 
.Obrigatório uso de máscaras para funcionários e clientes;
 
.Espaçamento de 1,5 metro entre pessoas, com uso de demarcações e barreiras físicas;
 
.Medição de temperatura na entrada;
 
.Estímulo ao teletrabalho/home office, principalmente para mães com filhos pequenos;
 
.Disponibilizar álcool gel 70%, água, sabão e toalhas descartáveis;
 
.Intensificar as medidas de limpeza, com reforço na higienização dos sistemas de ar condicionado;
 
.Apoio à testagem de casos suspeitos entre funcionários;
 
.Informar e orientar funcionários, parceiros, colaboradores e clientes sobre o cumprimento das principais medidas adotadas;
 
.Integrantes de grupos de risco para Covid-19 devem evitar o trabalho presencial.

Prefeitura anuncia critérios para reabertura de escritórios e concessionárias na cidade de São Paulo a partir desta sexta-feira (5). — Foto: Reprodução/Youtube
 
Tanto concessionárias quanto escritórios já podiam funcionar na capital durante a quarentena, mas sem atendimento ao público. A partir desta sexta-feira, eles poderão voltar a receber clientes presenciais.
 
Segundo Covas, o protocolo para o setor de escritórios contempla, por exemplo, escritórios de advocacia e de contabilidade.
 
"Esses protocolos serão assinados com a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], com a CESA [Centro de Estudos das Sociedades de Advogados], Conselho Regional de Administração [CRA-SP], com os sindicatos das cidades de direito, com os sindicatos contabilistas, com os sindicatos das empresas de serviços contábeis. A assinatura vai se dar aqui na Prefeitura de São Paulo agora às 16h da tarde", disse o prefeito
 
Flexibilização da quarentena
 
Os dois setores fazem parte de uma lista de cinco que foram autorizados a funcionar, com restrições, na fase 2-Laranja da quarentena, que está em vigor em algumas regiões do estado, incluindo a capital, desde segunda-feira (1). Ainda precisam ter seus protocolos aprovados para reabrir na capital os setores de comércio, shoppings centers e de atividades imobiliárias.
 
A Prefeitura de São Paulo optou por liberar o funcionamento dos setores contemplados apenas após análise de protocolos de saúde.
 
Nessas propostas os setores devem esclarecer como vão retomar o funcionamento garantindo a segurança de funcionários e clientes. Desde a segunda-feira a administração municipal já recebeu 74 protocolos.
 
Avanço da flexibilização
 
O prefeito Bruno Covas disse, também nesta quinta, que espera que a cidade de São Paulo avance para a fase 3-Amarela da quarentena ainda no mês de junho.
 
"A expectativa nossa é que, mantidos os índices que a gente tem visto e o comportamento deles, ainda em junho o município possa ser classificado dentro da fase 3, mas isso não há como prever com exatidão, porque não são índices que dependem exclusivamente da ação da prefeitura, como é a quantidade de leitos disponibilizados", disse o prefeito.


Mapa do estado de São Paulo com regiões divididas em fases de flexibilização da quarentena. — Foto: Divulgação/Governo
 
Pelo plano apresentado pelo governo de São Paulo, as regiões do estado são classificadas da seguinte forma:
 
.Alerta máximo (vermelho)
.Controle (laranja)
.Flexibilização (amarelo)
.Abertura parcial (verde)
.Normal controlado (azul)
 
De acordo com a fase cada região pode liberar a abertura de diferentes setores da economia fechados pela quarentena. Veja na figura abaixo:


Setores da economia que poderão ser reabertos em cada fase. — Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
 
A classificação de cada região leva em consideração uma série de critérios, entre eles, taxa de ocupação de UTIs e total de leitos a cada 100 mil habitantes.
 
De acordo com o governo, uma região só pode passar a um maior relaxamento após 14 dias. A reavaliação só ocorrerá em período menor caso haja informações relevantes que exijam, excepcionalmente, uma revisão.
 
Indicadores de SP
Bruno Covas também apresentou durante a coletiva os dados da cidade de São Paulo sobre a pandemia.
 
Segundo balanço da prefeitura, até esta quinta-feira (4) foram registradas 4.480 mortes por coronavírus e 72.171 casos confirmados da doença. Há ainda outros 4.251 óbitos e 205.401 casos suspeitos. A taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 é de 64%.
 
O prefeito também apresentou os dados da cidade em relação aos cinco critérios adotados pelo governo estadual para permitir a flexibilização dos municípios. Conforme o G1 revelou em reportagem, nem todos os números são divulgados pela gestão estadual.
 
Segundo Covas, a abertura de novos leitos foi importante para que a capital conseguisse a classificação na fase laranja.
 
“No final de março, nós tínhamos 176 leitos de UTI destacados para o coronavírus. Agora nós já estamos com 1.178 específicos. Imaginem que se a gente não tivesse feito nenhuma ação de ampliação desses leitos, desde o dia 3 de abril na cidade de São Paulo nós teríamos passado pela experiência de escolher quem era atendido e quem não era atendido”, afirmou.
Segundo o prefeito, nenhum paciente deixou de ser atendido na capital por falta de leitos. “A cidade tem feito esforço de ampliação desses leitos para nunca deixar passar dos 100%. Chegamos a ter 92% de ocupação, na semana em que ficamos numa situação mais difícil, mas em nenhum momento passamos pelo constrangimento do médico ter que escolher quem era atendido e quem não era atendido”.
 
Em relação aos dados atuais, indicadores que determinam em que fase da quarentena o município se enquadra, a ocupação média nos últimos 7 dias está próxima do limite estabelecido na fase laranja, mas Covas diz que a tendência é de queda.
 
“Quando a gente fala em taxa de ocupação de leitos de UTI, considerados aqui leitos públicos e privados, estamos com 73% na média dos últimos 7 dias. Se a gente pegasse só os leitos administrados pela prefeitura , a média dos últimos 7 dias é 79,9%. Uma média que vem caindo, já que nos últimos 3 dias a gente manteve os índices em 62/63 e 64%.


Dados da cidade de São Paulo nos cinco critérios definidos pelo governo estadual para autorizar flexibilização — Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo
 
Covas afirmou que a cidade apresenta alguns indicadores com valores classificados em fases mais permissivas de abertura.

“Nós temos mais de 22 leitos a cada 100 mil habitantes, o que já colocaria, somente sinalizado esse índice, a cidade já na fase 4, a fase verde. Quando analisados apenas os dados referentes aos leitos administrados pela prefeitura de SP, nós estamos aí com um índice de 9,79, o que colocaria a cidade na fase 3, na fase amarela”, disse.
 
“Com relação ao número de óbitos, a cidade está com um índice menor do que 0.4, 0.38, o que significa que a quantidade de mortos nos últimos 7 dias é 38% em relação a quantidade de mortos dos 7 dias anteriores. Ou seja, se a gente comparar a última semana com a penúltima semana a quantidade de mortos na cidade caiu 62%. Pegado isoladamente esse índice colocaria a cidade na fase 4, na fase verde”.

Fonte: G1 - RJ