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05/11/2021
Projeto amplia chances de inclusão de negros no mercado de advocacia


Apesar dos esforços de conscientização e de inclusão no mercado de trabalho, ainda são claras as dificuldades enfrentadas pelos negros quanto às chances de emprego, principalmente em cargos que exigem formação superior. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de estudantes negros no ensino superior subiu de 21,9% em 2001 para 43,7% em 2015, mas, ainda assim, menos de 3% de mulheres e homens negros alcançam cargos de diretoria ou gerência no Brasil. 
 
Mesmo quando o acesso se dá, a adaptação pode ser difícil. Pesquisa feita pela plataforma de empregos Indeed, em conjunto com o Instituto Guetto, aponta que somente 47,8% dos profissionais negros possuem um sentimento de pertencimento em relação às empresas em que trabalham. É para ampliar o acesso e a inserção de negros no mercado da advocacia que foi criado, em 2016, o Projeto Incluir Direito, prática escolhida pelo Innovare como um dos finalistas da Categoria Advocacia em 2021.
 
O projeto começou com a Universidade Mackenzie, campus Higienópolis, e hoje já está presente na unidade de Campinas dessa mesma universidade, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) e na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e já com projetos de expansão para o Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia.
 
O Prêmio Innovare há 18 anos destaca as boas iniciativas da área jurídica, idealizadas e colocadas em prática por advogados, defensores, promotores, magistrados e por profissionais interessados em aprimorar a Justiça brasileira, facilitando o acesso da população ao atendimento.
 
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Elogios do advogado Pierpaolo Bottini
 
Durante a reunião da Comissão Julgadora do Prêmio Innovare, a prática do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (Cesa) foi incluída para votação entre as selecionadas para a Categoria Advocacia pelo advogado e professor Pierpaolo Bottini.
 
“O projeto visa a acompanhar e intermediar um programa para inclusão de estudantes negros e negras no mercado de trabalho”, destacou Pierpaolo. “Como o Cesa tem, como partícipes, grandes escritórios de advocacia, eles resolveram fomentar um projeto de formar estudantes para que possam se apresentar de uma forma mais qualificada no mercado de trabalho e, por outro lado, estimular e mediar que estes escritórios aceitem ou façam uma política de inclusão. Eu achei esse projeto interessante porque ele traz o processo para dentro do mercado de trabalho da advocacia, onde raramente a gente encontra profissionais negras e negros”, elogiou.
 
Baixa participação dos negros nas sociedades de advogados
 
O Projeto Incluir Direito nasceu em 2016, quando um grupo de advogados do Cesa, membros do Comitê de Diversidade e Responsabilidade Social, se reuniram para estudar o problema da baixa participação dos negros nas sociedades de advogados, os problemas raciais do país e as enormes barreiras que existem para a inserção dos negros no mercado de trabalho. A primeira medida foi a contratação da Fundação Instituto Administração (FIA), ligada à Universidade de São Paulo (USP), para fazer um perfil demográfico das sociedades de advogados associadas ao Cesa. Nessa pesquisa, verificou-se que menos de 1% dos membros dos escritórios (considerando sócios, associados e estagiários) eram negros.
 
Em paralelo aos estudos, o Cesa constatou que precisaria fazer uma aproximação entre os escritórios e os estudantes negros e prepará-los para participar dos processos seletivos em condições de igualdade com os demais candidatos.
 
“Os próprios escritórios não tinham consciência da abissal desigualdade e do racismo estrutural que marcam nossa realidade social”, conta o advogado Carlos José Santos Da Silva,  autor da prática ao lado de Alberto Mori, Aloizio Ribeiro Lima, Barbara Rosenberg, Flavia Regina de Souza Oliveira, Gustavo Brigagão, Julio Bueno, Raphael Moreira do Espírito Santo, Robson de Oliveira, Silvia Naufal, Simone Musa e Thiago Ferreira Cabral.
 
Pelo lado dos estudantes, as dificuldades também eram sensíveis. Muitos nunca haviam elaborado um curriculum escolar. 
 
“Eles desconheciam a dinâmica de um processo seletivo. Por serem, muitas vezes, os primeiros de um núcleo familiar a ter acesso a um curso universitário, eles não tinham quem os orientasse sobre essas questões”, explica Cajé, como o advogado é chamado carinhosamente pelos amigos. “Precisávamos, assim, atrair, acolher, reter e ajudar no desenvolvimento desses jovens, e, ao mesmo tempo, adotar medidas de para que nossos próprios escritórios se conscientizassem das questões raciais, a fim de melhor recebê-los/acolhê-los”, completa.
 
Como funciona o projeto Incluir Direito?
 
Sem fins lucrativos, o Cesa desenvolve, junto com as universidades, um projeto pedagógico no qual os alunos passam por aulas para desenvolver diversas habilidades, tais como postura profissional, estratégias para participar de processos seletivos, formas de lidar com situações difíceis em ambientes competitivos, reforço de habilidades de leitura, interpretação e produção de textos, cursos de língua estrangeira, além de reflexões sobre a desigualdade racial e a importância da diversidade para realização de uma sociedade mais igualitária e democrática. Ao final do período do projeto, como contrapartida, os estudantes beneficiários se comprometem a participar de pelo menos três processos seletivos dos escritórios de advocacia patrocinadores, vinculados ao Cesa.
 
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Já pelo lado dos escritórios de advocacia afiliados, o Projeto estimula que as sociedades de advogados se conscientizem sobre eventuais barreiras internas em suas estruturas que precisam ser repensadas para receber esses estudantes.
 
“O projeto Incluir Direito tem um compromisso de transformação e de promoção da justiça social, fornecendo desenvolvimento educacional e pessoal para que jovens negros e negras participem em condições de igualdade nos processos seletivos para ingressar nas sociedades de advogados”, afirma Caje.
 
Além de inserir profissionais negros e negras nos escritórios jurídicos, o projeto gera mudança na estrutura e cultura organizacional, contribuindo para a composição de equipes de trabalho mais diversas e para o rompimento de paradigmas e preconceitos.
 
“Um time diverso, formado por funcionários com perfis diferentes, resulta em uma equipe mais completa, onde cada um consegue agregar de formas distintas de acordo com as suas e experiências e entender a real necessidade dos clientes”, defende o advogado.
 
Veja mais informações sobre o projeto:
 
Site: http://www.cesa.org.br/
 
Facebook: CESA - Centro de Estudos das Sociedades de Advogados
 
Instagram: @cesa_nacional
 
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCaYskaCnuN9inQDSQFkahAw
 
Sobre o Prêmio Innovare
 
Criado em 2004, o Prêmio Innovare é uma realização do Instituto Innovare. Tem como objetivo o reconhecimento e a disseminação de práticas transformadoras que se desenvolvem no interior do sistema de Justiça do Brasil, independentemente de alterações legislativas. Mais do que reconhecer, o Innovare busca identificar ações concretas que signifiquem mudanças relevantes em antigas e consolidadas rotinas e que possam servir de exemplos a serem implantados em outros locais.
 
O ministro Ayres Britto é o presidente do Conselho Superior, órgão que tem como atribuição definir as diretrizes anuais do Prêmio e que é formado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pela Secretaria Nacional de Justiça e Cidadania, pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), pela Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep), pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), com o apoio da Globo.
 
 
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Fonte: Instituto Innovare - RJ